Via de terra no final da década de 60 onde foi aberta a Avenida Tereza Cristina na década seguinte.
Fonte: APCBH/ASCOM

Em terras antes ocupadas por colonos pertencentes à antiga colônia agrícola Carlos Prates a Avenida Tereza Cristina foi idealizada pelo então prefeito Juscelino Kubitscheck em 1940 com a finalidade de ligar as regiões leste e oeste da capital, se estendendo desde a Avenida do Contorno até a Avenida Amazonas na Gameleira. Essa Avenida foi projetada após a retificação do leito do Ribeirão Arrudas iniciada na metade da década de 30 no trecho compreendido entre a Avenida Bias Fortes e a Zona Suburbana logo acima do Barro Preto. A retificação foi estendida nos anos seguintes em direção a região da Gameleira. A Avenida Tereza Cristina foi descrita no relatório do Prefeito Juscelino Kubitscheck em 1941 como uma avenida singular que apresentaria características únicas, como se lê no trecho extraído do relatório citado:

“Ao longo das margens direita e esquerda de nosso principal curso d’água, oferece a via pública um traçado vistoso e, ao mesmo tempo, diverso no que se observa nas outras avenidas, pois os canteiros da parte central darão lugar ao leito do ribeirão, formando-se as pistas dos dois lados, ligadas de trechos em trechos, pos pontes de concreto armado. Tornar-se-á por isso mesmo, uma das mais belas avenidas da capital”.



A calha do Ribeirão em três representações distintas: o seu traçado real representada na Planta de 1922, o seu curso já aparecia retificado na Planta de 1928, retificação essa que só aconteceria na década seguinte e o seu curso representado com imprecisão em uma Planta da década de 30.
Fonte: PANORAMA de Belo Horizonte; Atlas Histórico. Belo Horizonte, FJP; 1997.


Retificação do leito do Arrudas em 1935 na altura do Prado.
Fonte: APCBH Relatório do Prefeito Octacílio Negrão de Lima,1936


Ribeirão Arrudas retificado e canalizado na Zona Suburbana.
Fonte: APCBH Relatório do Prefeito Juscelino Kubitscheck de Oliveira,1941

Idealizada nos anos 40 a “avenida” de fato existiu até meados dos anos 80 apenas na margem esquerda do ribeirão, nas décadas anteriores era um caminho de terra que levava aos galopes e indústrias existentes na região além de permitir o acesso às pontes da Rua Santa Quitéria e do Beco do Viola. Na margem direita o acesso era feito pela atual Avenida Presidente Juscelino Kubitscheck, o conhecido “corta caminho” dos motoristas que evitam a Avenida nos dias de trafego intenso no sentido bairro-centro, que nada mais é do que parte do antigo leito da Rede Mineira de Viação¹ desde a Avenida Nossa Senhora de Fátima e se encontrava a uma distancia considerável do ribeirão. As áreas atualmente ocupadas pela avenida, entre as décadas de 40 e 80 se encontravam em grande parte ocupadas pela vegetação ciliar que existiu ao longo do Arrudas e que podem ser vistas na imagem abaixo.


Margem esquerda do Ribeirão Arrudas na década de 60. Essa região era largamente usada como "bota fora" pela população e pelo Poder Público que tratava os cursos d'água da capital como depósitos de lixo.
Fonte: APCBH/ASCOM


Rua de terra onde se abriu a avenida na década seguinte. A ponte vista na foto é a ponte da Rua Santa Quitéria, construída em 1949 em substituição a uma de madeira construída quando da fundação da colônia agrícola e que se encontrava em péssimo estado. Outro fato que chama a atenção do observador é a presença de mata ciliar na margem direita do ribeirão.
Fonte: APCBH/ASCOM


Planta Cadastral da década de 60 onde se vê em destaque a área abordada e no seu entorno o adensamento das vertentes do Arrudas.
Fonte: PANORAMA de Belo Horizonte; Atlas Histórico. Belo Horizonte, FJP; 1997.

Com o inicio das obras da Via Expressa Leste-Oeste em 1976 visando à melhoria da mobilidade urbana e da precária articulação viária tornou-se inevitável à abertura da Avenida, feita de fato somente na década de 80, paralelamente ao alargamento do canal do Ribeirão Arrudas até a Avenida Amazonas. O trecho compreendido entre a Ponte da Gameleira e o Córrego do Ferrugem foi aberto somente na segunda metade da década de 90² sempre acompanhando a calha do ribeirão.
Inalterada até os dias atuais (2011) a Avenida passará por uma profunda intervenção por parte do Poder Público com a execução da 3ª etapa da construção do Boulevard Arrudas que será estendido até o bairro Coração Eucarístico. Com a cobertura do canal do Arrudas e o alargamento da via a paisagem urbana nesse trecho será drasticamente alterada, assim como foi nos trechos já concluídos. A foto abaixo corrobora a Avenida vislumbrada por JK em 1940, materializada somente nos anos 80 e que atualmente se encontra com os dias contados.


Construção da segunda ponte ferroviária sobre o Arrudas entre os anos de 1984/1986, no mesmo período da abertura da Avenida Tereza Cristina nesse mesmo local. A primeira ponte vista na imagem era responsável pela ligação da Avenida Nossa Senhora de Fátima com a Avenida JK e foi implodida pouco depois desse registro.
Fonte: Acervo MBRoscoe


Uma paisagem urbana que será profundamente alterada: Avenida Tereza Cristina no ano de 2011, ao fundo o viaduto da Rua Santa Quitéria.
Fonte: Foto do Autor


Viaduto que será construído sobre a linha férrea na 3ª etapa do Boulevard Arrudas. Essa construção, que se assemelha com a antiga Ponte da Avenida Nossa Senhora de Fátima certamente irá criar mais um "vazio" urbano como é visto atualmente na Lagoinha.
Fonte: Portal PBH


Imagem da área abordada datada do ano de 2008 onde se destacam os locais das imagens apresentadas anteriormente.
Fonte: Google Earth


¹ Essa linha seguia mais ou menos o atual leito do metrô na altura do Prado até a região da Fazenda Camargos (Parada Camargos). Daí a linha seguia para Contagem (Estação Bernardo Monteiro), Pará de Minas e para o Triangulo Mineiro. A RMV era a maior Ferrovia do interior do Brasil e chegou a transportar mais de 3 milhões de passageiros/ano na década de 50. Nunca entenderei porque as ferrovias são consideradas um atraso no transporte público, o que se pode entender é a pressão de diversos "segmentos" contra esse formidável transporte...

² O trecho abordado aqui compreende apenas a porção da Avenida até as proximidades do Calafate, perto da Confluência entre o ribeirão Arrudas e o córrego do Tejuco.

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